Biblioteca Guilherme de Azevedo

Artigo, revisto e aumentado, incluso no catálogo da Exposição A Imprensa Periódica da Biblioteca Guilherme de Azevedo (1933-1974), da autoria de Luísa Barbosa.

O Grémio Literário Guilherme de Azevedo, fundado no princípio do século XX, tem uma longa existência, anterior a 1906, muito provavelmente de 1905. As suas origens republicanas determinaram o valor que esta instituição deu à instrução, à educação e à cultura, reflectindo-se nas actividades que promoveram como o teatro, a música, a dança, a esgrima, a ginástica, os saraus culturais com concertos e declamação de poesia, bem como a leitura. Daí a existência de um gabinete de leitura e de uma biblioteca, herdado depois pelo Círculo Cultural Scalabitano.

Esta associação ocupou o espaço do Teatro Taborda (1895), pelo menos a partir de 1912. Mais tarde, em Fevereiro de 1928, o Grémio pretendeu dinamizar esta biblioteca e, por isso, dirigiu um apelo aos editores e escritores para que oferecessem livros. A este apelo corresponderam alguns escalabitanos, registando-se a suas ofertas nas actas de Janeiro de 1929: “...ofereceram livros à Biblioteca os senhores Américo Passos, Romeu Neves, António Braz Ruivo, Manuel Neves, Carlos Borges, João Arruda, José Avelino de Sousa. No mês de Fevereiro, foi a viúva de João Maria da Silva, antigo professor de Liceu, que ofereceu livros e fotografias que pertenciam ao marido”.

Em 1930, foram executadas obras de adaptação do edifício, para instalar condignamente a Biblioteca, a qual deveria ser inaugurada no mesmo ano, “tornando-se única no género, em Santarém”.

Foi com a fusão do então Clube Literário Guilherme de Azevedo com o Orfeão Scalabitano, em 1954, que se inscreveu esta biblioteca, designada por “:Guilherme de Azevedo”, como uma secção do Círculo Cultural Scalabitano.

Realizado o novo inventário da Biblioteca pelo seu dirigente Luís Eugénio Ferreira, esta recebeu o espólio que o professor Carlos Sousa, professor do Curso da Arte de Dizer e Representar “Actor Taborda”, reconhecido e conceituado professor do Conservatório de Lisboa, entendeu depositar no Círculo Cultural em 1961, data em que teve de abandonar o Curso, quando a Direcção do Círculo teve de suspender algumas actividades, por falta de meios e incentivos, passando por uma grave crise financeira, certamente verificada pelo início do fim do período colonial português.

Depois de uma história cheia de altos e baixos, tal como na vida, reafirmando-se o valor cultural e histórico do Arquivo e da Biblioteca do Círculo Cultural Scalabitano, trabalha-se à procura de melhores dias....

 

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